Um Massacre
No momento perfeito tudo se desfaz...
Era a única coisa que fazia sentido à Dóris neste dia trágico e lúcido que estava terminando. Decidiu que a amanhã seria diferente que ira tomar iniciativa e fazer alguma coisa, não mais seria levada pela onda e pelo turbilhão do dia a dia.
Acordou mais cedo, fez alguns exercícios, tomou um bom banho, vestiu uma roupa bonita, tomou um café com frutas, na saída de casa cumprimentou as pessoas, comprou um jornal, deu dinheiro aos mendigos e chegou sorridente na loja em que trabalhava.
A policia a aguardava. Estavam todos em pânico e estupefatos.Entrou cumprimentou os policiais, as colegas de trabalho, entregou o jornal ao dono que gostava de lê-lo, foi até seu balcão, arrumou as coisas, olhou as prateleiras, uma ajeitadinha rápida aqui e ali e estava tudo pronto. Olhou novamente a todos, encarou os policiais e disse:
- Vocês desejam alguma coisa?
Os policiais simplesmente se aproximaram, pegaram em seus braços, e conduziram-na até a viatura. Dirigiram-se até a delegacia, não se ouviu uma palavra. Na sala de interrogação, Dóris, pegou uma lixa de unhas, começou a arrumar e tratar as unhas. Os policiais quebraram-se em perguntas, indagações, ameaças, fatos, fofocas, provas, suposições e afins... mas não obtiveram uma palavra de Dóris.
Foi tudo como se esperava. Um escândalo total! Os jornais enlouqueceram, a TV cobriu todos os momentos, desenterrou-se todo o passado de Dóris e todos os demais envolvidos, o julgamento durou três meses, as testemunhas assedias pela imprensa todo o tempo, o Juiz sobre proteção policial, as famílias envolvidas protegendo-se das câmeras e repórteres, o país parado.
A única prova: um livro esquecido embaixo da cama.
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