segunda-feira

Tema/Elemento: Medo

Imitação

         Eu leio Rubem Braga. Aliás, sempre li Rubem Braga [entenda ‘sempre’ como: há 21 anos leio Rubem Braga]. Nos últimos anos o tenho lido quase diariamente. Não muitos livros, mas os poucos que li, antes mesmo de terminar já havia relido várias vezes.
         Eu economizo Rubem Braga. Sempre guardo uma ou outra crônica, para ter sempre algo inédito dele para ler. Não sou um ‘entendido’, nem um grande ‘conhecedor’ de Rubem Braga. Apenas Gosto. Gosto muito.
        Não vou aqui explicar seus textos, ou o significado de “Não podemos recolher o brilho do lombo elástico de uma onda e fazer um discurso ao mar, acaso podemos?”. Não vou. Também não pretendo criar um estudo sobre o assunto, até porque, não li e não lerei uma biografia de Rubem Braga. Não vou estudar sua história de vida, ou o meio onde se formou, nem escrever uma tese ‘Rubem & Braga’. Só quero saber de Rubem Braga o que ele está disposto a dizer em seus livros. E ele diz muito. Viajo com ele por todas as cidades onde passou. Conheço todos os amigos que mencionou. Acompanho suas idas e vindas, suas dores e amores, sua coragem e seu medo, suas felicidades simples e completas. Rubem Braga é uma ótima companhia para beber um vinho, ouvir uma música, visitar um amigo, assistir televisão, viajar.
         Rubem Braga nasceu em janeiro e morreu em dezembro. Completo. Perfeccionista. Depois de todo este tempo, de ter lido uma pequena parte de sua vida, penso que o conheço. Não o conheço. Mas sempre que termino uma leitura, uma parágrafo, uma crônica, um livro, sempre tenho o mesmo pensamento. A mesma opinião. Uma única frase me vem a mente: Grandessíssimo filho d’uma puta!
         Leia Rubem Braga.

Tema/Elemento: livro esquecido embaixo da cama.

Um Massacre

         No momento perfeito tudo se desfaz...
         Era a única coisa que fazia sentido à Dóris neste dia trágico e lúcido que estava terminando. Decidiu que a amanhã seria diferente que ira tomar iniciativa e fazer alguma coisa, não mais seria levada pela onda e pelo turbilhão do dia a dia.
         Acordou mais cedo, fez alguns exercícios, tomou um bom banho, vestiu uma roupa bonita, tomou um café com frutas, na saída de casa cumprimentou as pessoas, comprou um jornal, deu dinheiro aos mendigos e chegou sorridente na loja em que trabalhava.
         A policia a aguardava. Estavam todos em pânico e estupefatos.Entrou cumprimentou os policiais, as colegas de trabalho, entregou o jornal ao dono que gostava de lê-lo, foi até seu balcão, arrumou as coisas, olhou as prateleiras, uma ajeitadinha rápida aqui e ali e estava tudo pronto. Olhou novamente a todos, encarou os policiais e disse:
        - Vocês desejam alguma coisa?
         Os policiais simplesmente se aproximaram, pegaram em seus braços, e conduziram-na até a viatura. Dirigiram-se até a delegacia, não se ouviu uma palavra. Na sala de interrogação, Dóris, pegou uma lixa de unhas, começou a arrumar e tratar as unhas. Os policiais quebraram-se em perguntas, indagações, ameaças, fatos, fofocas, provas, suposições e afins...  mas não obtiveram uma palavra de Dóris.
         Foi tudo como se esperava. Um escândalo total! Os jornais enlouqueceram, a TV cobriu todos os momentos, desenterrou-se todo o passado de Dóris e todos os demais envolvidos, o julgamento durou três meses, as testemunhas assedias pela imprensa todo o tempo, o Juiz sobre proteção policial, as famílias envolvidas protegendo-se das câmeras e repórteres, o país parado.
        A única prova: um livro esquecido embaixo da cama.

Tema/Elemento: formigas.

       O fim veio numa manhã em que parecia que nada ia dar errado.
        As pessoas trabalhavam calmamente ao redor da vila, alguns passeavam calmamente nos arredores,  outros chegavam do trabalhou saiam par trabalhar, e ainda outro vinha de longas jornadas em busca de suprimentos.
        Não sei dizer como exatamente aconteceu, foi tudo muito rápido, mas em determinado momento as informações ficaram desconexas e o ar ficou cheio de dúvidas e apreensão.
        O dia estava ensolarado, um domingo quente, porém calmo.
        De repente, não mais que de repente, da improbabilidade do céu azul começaram a despencar saraivas de pedras em chamas.
        Gigantescas pedras vermelhas em brasa ardente caíram por toda a vila.
        O desespero tomou conta de todos. nem o mais cataclismo profeta previra algo assim tão aterrador. Todos fomos pegos desprevenidos. Centenas mortos em poucos minutos. Alguns conseguiram salvar-se por estarem longe o suficiente da vila. Mas os moradores que ainda estavam por casa não tiveram tempo de correr. E por mais sinistro que possa parecer as pedras caíram apenas na vila, poucos ou quase nenhuma atingiu as plantações no entorno ou mesmo as planícies e matas que cercavam a vila. os deuses certamente tinham contas a ajustar conosco, uma divida que nunca tivemos conhecimentos de adquirir e nenhuma chance de pagar.


- Pára com isso Pedrinho, seu sádico! Não joga o carvão do churrasco no formigueiro.






[NOTA: escrito numa tacada, sem correção ou releitura - excercício]

terça-feira

Tema/Elemento: bandeira desbotada

Rorschach


- O que você vê nesta imagem? 
- Uma borboleta. [risos] 
- Do que está rindo? 
- Eu sempre achei que a resposta certa pra este teste fosse borboleta, acertei? 
- Não há certo e errado neste teste, Felipe. Apenas diga o que você vê. 
- Ah tá! 
- O que você vê nesta imagem? 
- O Senhor já viu anime? Desenho japonês? 
- Você vê um desenho japonês? 
- Mais ou menos. Tem um desenho japonês que eles usam um carro, um carro de guerra, com metralhadoras, e um canhão, tipo um tanque, com uma bandeira verde e preta, uma bandeira desbotada com um lado todo rasgado. 
- Você vê um carro de guerra? 
- Não, não é de guerra! É duma equipe tipo o Green Peace, que defende os animais. Usam o carro pra defender a natureza contra bandidos, caçadores, esse tipo de coisa. 
- Humm, um carro de defesa, então? 
- Não, o senhor quer me deixar falar, ou vai ficar adivinhando o que eu vejo? 
- Pode falar, mas seja breve, é o objetivo do teste é que você fale a primeira coisa que vem a sua mente. 
- Ahh sim, pois então a primeira coisa que veio a minha mente foi isso. Este desenho japonês, que tem um grupo que usa um carro equipado com armamentos para defender a natureza. Em um dos episódios, eles travam uma batalha pra salvar uma sequoia gigante, não sei bem onde era isso. 
- A imagem lembra a você uma sequoia gigante? 
- Não! Posso continuar? 
- Sim, pois não. 
- Então, nesta sequoia havia uma espécie de macaco que morava lá. Achei meio estranho porque nunca havia visto macacos e sequoias relacionados antes. Deve ser o paraíso dos macacos, não é? Uma árvore gigante, cheia de galhos, até as nuvens... se bem que não tem muito alimento... ahh, mas os Ewoks também habitavam árvores gigantes como sequoias... sei lá pode ser... 
- Um macaco? 
- Não, não! Desculpe, me perdi um pouco. A questão é: este macaco que morava na sequoia gigante que o grupo do Green Peace japonês estava defendendo com seu carro de guerra, o tal macaco se alimentava dum animalzinho que parecia um inseto, mas era grande, tinha seis patas e tudo, mas no desenho deu a entender que era um pequeno mamífero, uma espécie rara, tipo um ornitorrinco das árvores... 
- A imagem lembra um ornitorrinco? 
- Não era um ornitorrinco! Digo que ‘parecia’ porque era uma mistura de animais, um animal exótico, diferente de todo o resto, uma mistura, sei lá. 
- Lembra esse animal? 
- O que? 
- A imagem, Felipe, a imagem! Lembra um animal exótico? 
- Não na verdade não. Foi só que, ao ver a imagem, lembrei do desenho, e que nunca fiquei sabendo que animal era aquele... acho que nem existe de verdade, por que era desenho, não é? O que o senhor acha, será que esse animal existe?